1ºPP B - Agência Lampyris
André Lemos - Cultura da Mobilidade

Nos últimos anos, o crescimento e a multiplicação das redes sociais tomou a atenção do mundo real e do virtual. Hoje em dia, alguém que não tem uma conta no Orkut, no Facebook ou no Twitter, pode ser considerado ‘por fora’. Voltada mais ao publico jovem-adulto, as redes sociais vem se adaptando e criando aplicativos para ter cada vez mais adeptos e tornar-se cada vez maior.

Orkut, criado em 2004 pelo empresário turco que deu seu nome à rede, Orkut Buyukkokten, é hoje o site de relacionamento mais popularmente conhecido e difundido pelo Brasil. Com 40 milhões de usuários ativos, aproximadamente 50%, o Brasil é o país com o maior número de usuários do mundo - a Índia vem em segundo lugar, com 39%. O sucesso na terra tupiniquim é tamanho que em agosto de 2008, a Google - empresa que administra o Orkut - anunciou que o Brasil terá voz ativa nas mudanças ou atualizações que o site de relacionamente possa vir a passar.    

O Twitter   é um microblog que permite as pessoas enviar e receber mensagens de no máximo 140 caracteres. Criado em 2006 pelo americano Jack Dorsey, o microblog só explo  diu em 2009, ganhando usuários de diversas partes do mundo. Hoje o Brasil é um dos pais com mais “seguidores” e que mais “twitam” no mundo.

Para uma maior integração, fácil navegação e acessibilidade, diversos aplicativos surgiram incorporando o Twitter. Entre muitos, podemos citar: TweetDeck, TwitPic, TwitCam, TwitDraw, TwitterBerry, ÜberTwitter e FourSquare.

 

TweetDeck é um aplicativo para desktop que integra, não somente o microblog, mas também Facebook, LinkedIn, GoogleBuzz, FourSquare e MySpace.

TwitPic, junto com TwitCam e TwitDraw, são serviços vinculados aos Twitter onde é permitido enviar fotos, transmissão de vídeos ao vivo e desenhos, respectivamente.


  

TwitterBerry e ÜberTwitter são dois softwares para celulares BlakcBerry, onde são permitidos “twitar” através do celular. O TwitterBerry tem compatibilidade com o TwitPic, permitindo enviar fotos para o Twitter diretamente do aparelho celular. O ÜberTwitter, além de ter compatibilidade com o Yfrog, outro serviço para envio de foto, possui a função de localização geográfica, ou seja, onde quer que você esteja “twitando” com seu BlackBerry, o GPS do aparelho acusa sua localização e publica isso no microblog.

FourSquare é um serviço de geolocalização para iPhone, BlackBerry, Android e Palm. Basicamente ele permite que você indique onde está através de um aplicativo no seu celular. Você abre o aplicativo e aparece uma lista de lugares, você indica o lugar em que você chegou, escolhe se vai avisar seus amigos ou não e se quer que esse check-in (esse é o nome que o Foursquare dá para a ação que você executa no aplicativo para dizer que chegou em algum lugar) apareça no Twitter e Facebook. Permite também que você deixe Tips sobre os lugares onde você já esteve, com recomendações e comentários.


  “A mobilidade, em suas dimensões física (transporte de pessoas, objetos, commodities) e informacional (sistemas de comunicação), cria uma dinâmica tensa entre o espaço privado (a fixação) e o público (a passagem, a efemeridade), entre o próximo e o distante, entre curiosidade e apatia (Simmel, 1988). É nesse movimento que se produz a política, a cultura, a sociabilidade, a subjetividade.”

“Comunicar é deslocar. Toda mídia libera e cria constrangimentos no espaço e no tempo. A comunicação implica movimento de informação e movimento social: saída de si no diálogo com o outro e fluxo de mensagens carregadas por diversos suportes. Para Tuan, “human lives are dialectical movement between shelter and venture, attachment and freedom” (1977, p.54).”

 

“Um tipo de mobilidade tem sempre impacto sobre outro. A mobilidade informacional virtual tem impactos diretos sobre a mobilidade física e sobre o lugar e o espaço onde opera, e vice-versa. Não podemos dissociar comunicação, mobilidade, espaço e lugar. A comunicação é uma forma de “mover” informação de um lugar para outro, produzindo sentido, subjetividade, espacialização.’”

"A relação dos meios massivos com a mobilidade é sempre constrangedora. Mover-se implica em dificuldades de acesso a informações e, no limite, a mobilidade informacional se dá apenas pela possibilidade de consumo. Já com as mídias de função pós-massiva, móveis e em rede, há possibilidades de consumo, mas também de produção e distribuição de informação. Aqui a mobilidade física não é um empecilho para a mobilidade informacional, muito pelo contrário. A segunda se alimenta da primeira. Com a atual fase dos computadores ubíquos, portáteis e móveis, estamos em meio a uma “mobilidade ampliada” que potencializa as dimensões física e informacional.”

 

"A relação dos meios massivos com a mobilidade é sempre constrangedora. Mover-se implica em dificuldades de acesso a informações e, no limite, a mobilidade informacional se dá apenas pela possibilidade de consumo. Já com as mídias de função pós-massiva, móveis e em rede, há possibilidades de consumo, mas também de produção e distribuição de informação. Aqui a mobilidade física não é um empecilho para a mobilidade informacional, muito pelo contrário. A segunda se alimenta da primeira. Com a atual fase dos computadores ubíquos, portáteis e móveis, estamos em meio a uma “mobilidade ampliada” que potencializa as dimensões física e informacional.”

"A mobilidade produz espacialização e os lugares devem ser pensados como
eventos em um fluxo de práticas sociais, de processos territorializantes e desterritorializantes. Os lugares devem ser vistos como “stages of intensity” como afirma Thrift (1999) e a mobilidade como uma forma de produção do lugar. “Des-locar” significa causar turbulências, mas não, necessariamente, apagar a dimensão espacial. Toda a nossa experiência é fundada em lugares e por mais que as novas tecnologias sejam sofisticadas e permitam ações à distância, nossa experiência é sempre locativa.”

"Artefatos comunicacionais acentuam a mobilidade e aguçam a compreensão do nosso lugar no mundo e de nós mesmos. Isso se dá por tornar as informações acessíveis, seja por uma maior mobilidade física (transporte), seja por uma maior mobilidade informacional (mídia). Hoje, com as novas tecnologias, este processo de espacialização ganha contornos mais largos. Meyrowitz, revisando sua tese de que as mídias de massa criam “no sense of places” (1985), chega a propor a idéia de que estaríamos vivendo em “glocalities” (apud Nyíri, 2006, p. 23) e que as mídias funcionariam sempre como “global positioning systems” - informando nossas visões dos outros, de nós mesmos, do mundo lá fora e, consequentemente, do nosso lugar. As mídias contemporâneas, globais, telemáticas e eletrônicas criariam, portanto, novos sentidos de lugar e ajudariam a expandir a nossa percepção espaço-temporal produzindo "new sense of places" e "new sense of selves".

"A questão do tempo também é crucial nesta comunicação móvel já que cria
temporalidades diferenciadas em relação a espaços diferenciados onde “any waiting time becomes a potential communication time…” (Hayden, 2006, p.175). Há assim a coexistência de ritmos (de uso do aparelho, do local de uso, usos em atividades quotidianas, uso em
atividades institucionais) criando um rearranjo espacial e temporal de fronteiras, ou“boundary rearrangement” (Green, 2002, p.288) onde “being ubiquitous means redefining space into the space of communication. By compressing and desequencing time, it also creates a new practice of time.” (178). As novas formas de  comunicação móvel permitem também poderosas plataformas de ação política, como o Twitter e os celulares nas últimas eleições no Irã. Mobilizações para fins ativistas são bastante conhecidas, com as nas Filipinas (1999), Espanha (2004), Coréia do Sul (2002), EUA (2004), Japão (2006) e China (2003), entre outras, conhecidas como Smart Mobs (Rheingold, 2006). Há aqui uma apropriação política do espaço.”

Máquinas de Vigiar - Arlindo Machado

No mundo moderno são raros os momentos em que não há algum sistema de vigilância apontado para nós. A tecnologia de observação evoluiu a tal ponto que é possível até mesmo ouvir conversas em voz baixa à grande distância. Parece que o único lugar e momento em que não há nenhuma forma de vigilância sobre nós é quando estamos em casa.

O desejo por segurança e ordem, sentimento natural do homem moderno, fez com que os “olhos que tudo veem” fossem postos onde estão. O vigiado, por sua vez, desenvolveu uma síndrome paranoica, em que sempre que saísse à rua, imagine estar sendo observado. O resultado dessa paranoia, por vez do vigiado, não foi outro se não sempre estar preocupado com seu comportamento para tentar evitar a punição.

Não é preciso por um guarda em cada cruzamento de avenida, por exemplo, para controlar os motoristas. Muito mais fácil que isso, agora só é preciso por uma placa que diga: ”radares ao longo da via”, ou algo do gênero, para que imediatamente os motoristas dirijam mais de acordo com as leis e normas do trecho.

O mesmo acontece nas ruas para aqueles que são pedestres. Muitas vezes mesmo não vendo nenhuma placa que indique algum sistema panóptico, que possa o estar monitorando, só de perceber que é uma rua movimentada já imagina a possibilidade de existir. E, novamente, o vigiado adequa suas ações de acordo com as leis.

O sistema panóptico, portanto, pode ser compreendido como um modelo universal de maquina disciplinadora. O que ele faz é nada mais que prevenir e punir qualquer ação quanto à ordem. Mas está longe de ser um sistema perfeito.

Em suma sempre há alguém por trás das câmeras. Esse ser, portanto, está fora da área de possibilidade de ser julgado, pois de certa forma, é quem julga. Não temos controle sobre aqueles que nos monitoram e não sabemos realmente no que eles estão de olho.

Eles têm a possibilidade de invadir nossa privacidade e observar cada único movimento nosso, assumindo um papel de voyeurismo sobre nós.  Não há como saber pelo que procuram em nós e se o estão fazendo de forma indigna. Só nos resta, portanto, sermos observados sem saber se realmente estamos sendo, ou o que procuram.

O voyeurismo é prazeroso ao ser humano. A curiosidade é algo natural a nós e a exercemos constantemente sobre aqueles que nos cercam. O problema existe, no entanto, quando o voyeur exagera e extrapola no quanto observa e o que procura. Protegidos pelos bastidores dos panópticos,  é de se imaginar que o homens por trás das câmeras exagerem em seu dever e assumam uma visão doentia e maléfica sobre os observados.

A resposta para este problema apresentado seria simplesmente substituir os homens por ainda mais máquinas, ciclo natural da evolução tecnológica. Assim sendo, aos poucos estamos cada vez mais sendo observados por sistemas tecnológicos e menos pelo ser falho, e possivelmente doentio, que o homem pode ser.